As arquitetas Daniele Okuhara e Beatriz Ottaiano, do escritório doob Arquitetura, revelam como otimizar o espaço e planejar os móveis do ambiente considerado o coração da casa

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Com imóveis cada vez menores e o desejo pela interação da família, a cozinha vem se transformando e acumulando funções ao longo dos anos. Mais do que ganhar status de área social, ela virou reduto de bons momentos, reunindo as pessoas para um delicioso bate-papo durante os preparativos das refeições. Por ser um lugar que pede praticidade, os cuidados com cada detalhe devem começar na concepção do layout antes de chegar na seleção de materiais e finalização da decoração. As arquitetas Daniele Okuhara e Beatriz Ottaiano, da doob Arquitetura, reuniram dicas que ajudam desde a distribuição das áreas até o planejamento dos móveis do ambiente.

Circulação e Layout – O layout é o ponto de partida crucial para planejar a cozinha. Por ser um lugar de grande movimentação, uma circulação bem pensada garante a funcionalidade e evita o perigo de esbarrões ou acidentes. O ambiente pede, no mínimo, 1 m de passagem, possibilitando caminhar com conforto até mesmo quando as portas do forno ou da geladeira estiverem abertas.

Sobre a disposição de móveis e eletrodomésticos, fique atento à tríade das áreas de armazenamento, preparo e cocção. Daniele dá a dica: “Precisamos levar em conta a triangulação dos três itens principais: fogão, cuba e a geladeira. A ideia é que esses elementos fiquem próximos, tornando o dia a dia mais prático.”

Há diferentes layouts, que variam conforme o perfil de cada projeto. Nas plantas lineares, pia, fogão e geladeira ficam na mesma parede e o ambiente acaba parecendo um corredor. Na distribuição em U, cada elemento está disposto numa parede diferente. Já no layout em L, dois elementos se encontram na mesma parede e o terceiro na lateral. “A posição de tudo também dependerá da metragem disponível”, explica Beatriz. “Um cuidado importante envolve a localização dos pontos de elétrica e hidráulica, que devem considerar previamente o lugar de eletrodomésticos, cuba e outros acessórios”, completa.

Móveis Planejados – O investimento em móveis sob medida pode parecer alto, no primeiro momento, mas por ser um mobiliário fixo e durar muito tempo, vale a pena! Isso por que são feitos de acordo com o tamanho do ambiente, impedindo o desperdício de centímetros, e levam em conta as necessidades específicas dos moradores.

Para quem vai investir na marcenaria, a doob arquitetura conta um pouco sobre suas preferências: “Gostamos que o desenho externo do armário fique o mais clean possível. Para evitar frisos, usamos recursos de gavetões maiores e, do lado interno, investimos em gavetas comuns. As gavetas mais rasas servem para guardar utensílios, enquanto as mais profundas armazenam panelas e frigideiras. Na parte superior, adotamos portas comuns ou basculantes com prateleiras internas.”

Nichos e prateleiras são recursos práticos que garantem movimento aos armários, diferentemente das grandes caixas de madeira. Mas eles pedem atenção: “Além do recurso estético, facilitam na hora de armazenar itens que devem ficar sempre ao alcance, como temperos, livros de receitas, plantinhas para hortas. Porém, para guardar peças de pouco uso não é a opção mais indicada, pois é um local que acumula gordura e poeira”, revela Daniele.

Minuciosamente calculados, os armários também podem trazer recursos espertos. “Ao optarmos pela marcenaria sob medida, gostamos das soluções que ajudam a esconder alguns itens não tão desejados e, que muitas vezes, desperdiçam centímetros sobre a bancada. É o caso do escorredor de prato, que pode ficar escondido na parte de superior do móvel, ou da lixeira, geralmente embutida na bancada”, diz Beatriz.

Materiais Recomendados – Como os armários da cozinha acabam entrando em contato com a água, alguns cuidados são imprescindíveis. “Evite usar materiais sensíveis, como lamina de madeira ou laca, pois mancham e alteram a cor. No caso da laca, pode machucar com alguma batidinha”, revela Daniele. “Vale optar por móveis com maior durabilidade. Indicamos o MDF que é resistente e já vem com impressão de fábrica, tanto com acabamento amadeirado como liso”, completa. Para os puxadores, a atenção deve ser com os modelos que acumulam gordura e são difíceis de limpar, como os modelos de cava. “Preferimos usar puxadores com desenho linear e versões embutidas que deixam a marcenaria clean e são de fácil manutenção”, justifica Beatriz.

Cores e estilo – Nesse assunto, não há regras, afinal a escolha das cores e do estilo da cozinha precisa combinar com o gosto do morador. Mas as arquitetas evitam usar móveis que caiam no lugar comum. “Hoje, a cozinha faz parte da área social da casa e sempre é importante fugir do visual convencional. Gostamos de brincar com duas cores ou trazer o tom amadeirado para quebrar a frieza do cômodo. Como são normalmente fechados e com aparência de caixas, é um recurso de usar mais movimento e um pouco mais de personalidade ao projeto”, finaliza.

Contato:
doob Arquitetura
(11) 2528-2258
http://www.doobarquitetura.com