Solicitação de algumas construtoras, além de irritar consumidores, vai na contramão do hábito do brasileiro de jogar água para manter a cozinha limpa. Isto ocorre pois não investem em algo importantíssimo como a impermeabilização

Recentemente, foi veiculada na imprensa a informação de que algumas construtoras estão entregando imóveis sem impermeabilizarem a cozinha e, com isso, obrigando os compradores a assinarem um termo no contrato onde orientam para que não lavem este ambiente e apenas passem pano úmido, já que não realizaram o trabalho de impermeabilização no local.

“O custo de uma impermeabilização de qualidade é de cerca de apenas 2% da obra, sendo ela muito importante por inúmeras questões. A infiltração de água, além de causar transtorno entre vizinhos, danifica a superfície e a estrutura do imóvel, afetando o concreto, sua armadura e as alvenarias”, explica o engenheiro especializado em impermeabilização Rolando Infanti Filho. Segundo ele, há mais problemas como o fato de o ambiente ficar insalubre devido à umidade, fungos e mofo, diminuindo a vida útil da edificação como um todo. “Apesar da recomendação incorreta das construtoras de limpar o local apenas com um pano úmido e produtos químicos, é praticamente impossível manter esse tipo de área limpa sem lavar com água abundante, pois se trata de um local de uso contínuo e suscetível à sujeira constante”, afirma o engenheiro.

Dessa forma, considerando a hipótese bastante provável de a cozinha ser lavada – de acordo com a cultura do brasileiro -, esta ação resultará em infiltração de água saturada de gordura para o andar inferior do edifício por conta da falta de impermeabilização. “A pintura do teto do apartamento de baixo sofrerá danos irreparáveis. Em caso de teto forrado com gesso, o mesmo sofre o risco de vir abaixo; rejuntes de piso podem ficar manchados, podendo ocorrer também o deslocamento da cerâmica”, alerta Infanti.

Segundo o especialista, depois da obra pronta, o custo para ser feita ou refeita uma impermeabilização sobe para 20% do valor da construção. Ou seja, dez vezes mais do que se aplicada no início. “Isto sem contar tanto a diminuição da vida útil da edificação como outros problemas, como danos à saúde também”, revela o profissional, que é gerente técnico da Dryko Impermeabilizantes.

Segundo o IBGE, aproximadamente 30% das queixas com moradia são relativas ao excesso de umidade, problema que pode ser evitado através da correta aplicação de impermeabilizantes durante a construção. “Além de proteger o patrimônio, a impermeabilização também previne contra os males causados pela umidade. Por isso, por mais popular que possa ser um imóvel, economizar neste ponto é gastar, e muito mais, lá na frente, além de desvalorizar a propriedade e correr riscos desnecessários. Aconselho o comprador de imóveis a ficar muito atento a este ponto que, à princípio, pode parecer detalhe mas faz toda a diferença”, finaliza.| Dryko

Jiz-19/jul/2013